Perícia médica do INSS: como se preparar
A perícia médica define se você recebe ou perde o benefício. Saiba como reunir documentos, o que levar e como relatar sua incapacidade.
A perícia médica do INSS é o momento decisivo para quem busca auxílio por incapacidade ou aposentadoria. Em 15 a 30 minutos, um médico perito decide se você vai receber o benefício. A preparação faz diferença — e a maioria das negativas acontece por falta de documentação, não porque o quadro não existe.
O que é avaliado na perícia
O perito médico do INSS avalia três coisas:
- Se você tem a doença ou condição que alega — através de documentos e exame físico.
- Se essa condição te incapacita para o trabalho — não apenas que você tem dor, mas que a dor impede o exercício da sua função.
- Se a incapacidade é temporária ou permanente — o que define o tipo de benefício.
O diagnóstico, sozinho, não é suficiente. O perito precisa ver incapacidade funcional.
O que levar para a perícia
Documentação médica (obrigatória)
- Laudo médico atualizado do especialista responsável pelo seu caso, descrevendo diagnóstico, tratamento e limitações funcionais.
- Exames de imagem com laudos (ressonâncias, tomografias, radiografias).
- Exames laboratoriais relevantes para a doença.
- Histórico de consultas — quanto mais longo, melhor.
- Receituários de medicamentos em uso.
Documentação de trabalho
- Carteira de trabalho.
- Contracheques recentes.
- Descrição da função exercida — o que você faz concretamente no trabalho.
- Atestados de afastamento já emitidos.
- CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), se a doença tem relação com o trabalho.
Documentos pessoais
- RG e CPF.
- Comprovante de agendamento da perícia.
- Número do NIT/PIS/PASEP.
Como descrever sua incapacidade
Essa é a parte que mais influencia o resultado — e onde a maioria dos segurados erra.
Não diga apenas “estou com dor” ou “estou deprimido”. Diga o que você não consegue fazer:
- “Não consigo ficar em pé por mais de 10 minutos sem dor intensa.”
- “Não consigo levantar objetos acima de 2 kg com o braço esquerdo.”
- “Não consigo trabalhar porque não durmo mais de 3 horas seguidas e não me concentro.”
- “Preciso me deitar 3 a 4 vezes por dia por causa da dor.”
Fale sobre o dia típico de piora, não do dia bom:
Muitas doenças flutuam. A fibromialgia, a depressão, a artrite reumatoide têm dias bons e dias ruins. Na perícia, descreva o que acontece nos dias ruins — porque é isso que define se você consegue trabalhar de forma consistente.
Relate impacto em tarefas básicas:
- Você consegue cozinhar? Dirigir? Tomar banho sozinho?
- Você consegue se vestir sem ajuda?
- Você sai de casa com frequência?
Essas informações constroem um quadro de incapacidade muito mais claro do que a descrição clínica da doença.
Erros comuns na perícia
| Erro | O que acontece | O que fazer |
|---|---|---|
| Levar só o diagnóstico, sem laudo de incapacidade | Perito não tem como avaliar limitações funcionais | Levar laudo do especialista descrevendo limitações |
| Minimizar os sintomas por timidez | Perito considera o segurado funcional | Descrever os piores episódios com franqueza |
| Não levar exames de imagem | Perito não pode verificar o quadro objetivamente | Levar as imagens físicas e os laudos |
| Não comparecer porque está se sentindo bem | Benefício indeferido automaticamente | Comparecer sempre — descrever dias ruins |
| Não levar histórico de tratamento | Perito questiona a cronicidade da doença | Levar prontuários e receituários históricos |
Se o benefício for negado
A negativa na perícia não encerra o caso:
- Recurso administrativo: prazo de 30 dias, via Meu INSS. Inclua documentação complementar — laudos mais recentes, exames adicionais.
- Nova solicitação: se o quadro mudou ou se você tem documentação mais robusta.
- Ação judicial: quando a negativa é recorrente e o quadro claramente justifica o benefício. O juiz pode determinar perícia judicial independente.
A perícia dura 20 minutos, mas a preparação para ela pode levar semanas. Documentação completa, laudo que descreve incapacidade funcional e a clareza de relatar limitações concretas são o que separa a concessão da negativa.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura a perícia médica do INSS?
Em média 15 a 30 minutos. O perito faz perguntas sobre a doença, o trabalho e as limitações diárias, e pode fazer um exame físico rápido. O tempo é curto — por isso a documentação prévia é tão importante.
Posso ir acompanhado à perícia médica?
Sim. Você pode levar um acompanhante — familiar, cuidador ou advogado. O acompanhante não participa das respostas, mas pode ajudar na locomoção e na organização dos documentos.
O perito pode me examinar fisicamente?
Sim. O perito pode fazer exame físico básico — avaliar mobilidade, reflexos, sensibilidade. Não é obrigatório, mas é comum em casos ortopédicos e neurológicos.
Se eu me sentir bem no dia da perícia, devo ir assim mesmo?
Sim. Faltar à perícia resulta em cessação ou indeferimento do benefício. Se você tem um dia bom, descreva como são os dias ruins — a perícia avalia a condição crônica, não o snapshot do dia.
