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Custo real de um empregado CLT: além do salário bruto

Encargos, benefícios e provisões fazem o custo real de um CLT chegar a 1,7x o salário. Veja como calcular para orçar contratações com precisão.

Estação de trabalho administrativa com computador em escritório
Foto: MrChrome/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Contratar pelo salário que aparece na oferta de emprego é um erro de planejamento. O custo real de um empregado CLT inclui encargos, benefícios e provisões que a empresa pagará ao longo do contrato — e que precisam ser orçados desde a contratação.

Os componentes do custo trabalhista

1. Salário bruto

É o ponto de partida. Mas sobre ele incidem todos os encargos e provisões.

2. Encargos sobre a folha (mensais)

EncargoPercentual
INSS patronal20% sobre o salário
FGTS mensal8% sobre o salário
RAT (Risco Ambiental do Trabalho)1% a 3% (depende da atividade)
Terceiros (SENAI, SESI, SEBRAE etc.)3,6% a 5,8% (depende do setor)

Total de encargos mensais: em torno de 30% a 37% sobre o salário bruto, dependendo do setor e da classificação de risco.

3. Provisões mensais

Além dos encargos que são recolhidos todo mês, a empresa deve provisionar (reservar mensalmente) o custo de obrigações anuais:

Férias (1/12 por mês acumulado):

  • Salário das férias: 1/12 ao mês.
  • Terço constitucional: + 1/3 sobre o valor acima.
  • FGTS e INSS sobre o valor provisionado.
  • Total da provisão de férias: aproximadamente 11,1% do salário bruto ao mês.

13º salário (1/12 por mês acumulado):

  • Valor do 13º: 1/12 do salário por mês.
  • FGTS e INSS sobre o 13º.
  • Total da provisão de 13º: aproximadamente 9,3% do salário bruto ao mês.

Provisão de rescisão: Em contratos com maior rotatividade, é prudente provisionar a multa de 40% do FGTS — mais comum em setores com alta rotatividade.

4. Benefícios típicos

BenefícioCusto estimado
Vale-transporteCusto do empregador (parte acima do desconto de 6%)
Vale-refeição / alimentaçãoR$ 600 a R$ 1.200/mês (varia por setor e CCT)
Plano de saúdeR$ 300 a R$ 1.500/mês por empregado
Seguro de vida em grupoR$ 20 a R$ 80/mês

Cálculo prático

Para um empregado com salário de R$ 3.000 brutos:

ItemValor mensal
Salário brutoR$ 3.000,00
INSS patronal (20%)R$ 600,00
FGTS (8%)R$ 240,00
RAT + Terceiros (~5%)R$ 150,00
Provisão férias (~11,1%)R$ 333,00
Provisão 13º (~9,3%)R$ 279,00
Vale-refeição (médio)R$ 700,00
Vale-transporte (custo líquido)R$ 150,00
Custo total estimadoR$ 5.452,00

O custo real é 1,82x o salário bruto — sem plano de saúde. Com plano, ultrapassa 2x com facilidade para salários mais baixos.

Por que isso importa no planejamento

Contratação: ao definir o salário de uma nova posição, calcule o custo total para verificar o impacto no orçamento real.

Precificação de serviços: empresas de serviços que faturam por hora precisam incluir o custo trabalhista completo na composição do preço — não só o salário.

Análise de pejotização: o diferencial de custo entre CLT e PJ existe, mas precisa ser ponderado contra o risco jurídico (reconhecimento de vínculo + retroativo).

Planejamento de expansão: contratar 5 pessoas ao salário de R$ 3.000 cada não é R$ 15.000/mês — é aproximadamente R$ 27.000 a R$ 30.000.

O salário que aparece na oferta de emprego é a ponta do iceberg. Provisionar corretamente férias, 13º e encargos — desde o primeiro mês — é o que separa um departamento pessoal bem gerido de um fluxo de caixa cheio de surpresas.

Perguntas frequentes

Qual o percentual médio de encargos trabalhistas sobre o salário?

Os encargos obrigatórios (INSS, FGTS, FGTS multa e férias) somam em torno de 50% a 70% do salário bruto. Adicionando benefícios típicos (VT, VR/VA, plano de saúde) e provisões, o custo total pode chegar a 1,7 a 1,9 vezes o salário bruto.

O 13º salário é calculado sobre o salário bruto ou líquido?

Sobre o salário bruto, incluindo médias de horas extras habituais, comissões e outros componentes habituais da remuneração. O empregador também recolhe INSS e FGTS sobre o 13º.

A provisão de férias precisa ser contabilizada mensalmente?

Sim. A provisão de férias (salário + 1/3 + FGTS e INSS sobre esse valor) deve ser constituída mensalmente para refletir a obrigação acumulada. Empresas que não provisionam costumam ter surpresas no fluxo de caixa quando o empregado vai de férias.

Empresa que pejotiza reduz custo trabalhista?

Na prática contábil imediata, sim — mas com risco significativo. Se a pejotização for caracterizada como fraude, a empresa pode ser condenada a pagar todos os encargos sonegados mais multas e juros retroativos. O custo de uma ação trabalhista mal calculada pode superar a economia.

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